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Autor: Ubiracy José Tesserolli

Dados revelam índices expressivos de abuso  sexual em crianças e adolescentes em Pato Branco

Apresentação de peças teatrais nas escolas da rede municipal de ensino ajuda a reduzir o índice de violência e de abuso  sexual em crianças e adolescentes. A iniciativa integrou as atividades desenvolvidas durante a campanha “Faça Bonito” pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). O evento aconteceu  no mês de maio, segundo a psicóloga Sarah Cristina Kusma da Luz, que participou da sessão do Legislativo na última quarta-feira (30). O convite havia sido formulado pelo vereador Rodrigo Correia (PSC).

A campanha tem a proposta de  destacar o “ Dia 18 de Maio” para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. A profissional explicou que,  o Creas é uma unidade pública da política de assistência social. O centro atende pessoas e famílias que estão em situação de risco social por situações de violência.

A demanda atual é de 700 atendimentos, conforme Sarah, gerados por violência física, sexual e psicológica, negligência e abandono, violência sexual, abandono, situação de rua, exploração de trabalho infantil e discriminação por orientação sexual, raça e etnia.  O centro atendeu 145 casos de abuso e exploração sexual, 350 casos  [negligência e abandono],  50 adolescentes cumprem medidas socioeducativas,  50 mulheres vítimas de violência e 85 pessoas com necessidades especiais.  Somente neste ano, o centro  remeteu 121 notificações ao Conselho Tutelar de violência contra criança e adolescente.

De acordo com as informações, aproximadamente 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas. Meninos representam 16% das vítimas. De 0 a 11 anos- 40 % dos casos, 12 a 14 anos- 30,3% das denúncias e de 15 a 17 anos 20,09% das denúncias.

O caso de violência sexual,  segundo Sarah, o Creas é responsável pela escuta qualificada, ou seja, ouvir as vítimas. O resultado dos depoimentos é encaminhado às autoridades competentes [Conselho Tutelar, Delegacia de Polícia e Poder Judiciário].

Novo método

A escuta de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência e de abuso sexual está seguindo a metodologia humanizada de entrevista, A oitiva por meio do depoimento especial ou da escuta qualificada, que se tornou obrigatória com a Lei 13.413, sancionada em 2017.  O objetivo do método humanizado é evitar que crianças e adolescentes tenham que reviver fatos traumáticos ao depor e contribuir para a fidedignidade das informações.

A demanda é assistida por uma equipe formada  por educadores sociais, assistentes sociais, psicólogos, entre outros profissionais. Ao todo, 13 profissionais atuam no Creas.