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Autor: Ubiracy José Tesserolli

Herói de guerra é homenageado em sessão solene no Legislativo

No dia 23 de novembro, às 19h, aconteceu no Legislativo à solenidade de outorga da  medalha de Honra ao Mérito Pato-branquense ao herói de guerra José Argenta. A homenagem (Decreto Legislativo  n.º 11/2018), de iniciativa do vereador Claudemir Zanco, Biruba (PDT), foi aprovada pelos vereadores  no mês de outubro deste ano. O evento reuniu autoridades,  entre elas, o vice-prefeito Robson Cantu,  lideranças políticas e membros da família do homenageado. Pela primeira vez, um evento realizado pelo Legislativo foi transmitido em libras.

José  nasceu no  município de Guaporé, Rio Grande do Sul, no dia 28 de julho de 1920. Foi um dos sobreviventes dos 25.334  soldados escalados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB),  para participar do conflito mundial.  Um dos soldados presente no final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército alemão, que marcou  fortemente a presença da FEB, no conflito da tomada de Monte Castello.

No dia 2 de julho de 1944, pouco antes de o navio-transporte General Mann levantar  âncoras do porto do Rio de Janeiro, com  5.075 soldados a bordo, Getúlio Vargas  despediu-se  dos  “pracinhas”  com  as  seguintes  palavras:  “Soldados  da  Força Expedicionária. O chefe do governo veio trazer-vos uma palavra de despedida, em nome  de toda a nação. O destino vos escolheu para essa missão histórica de fazer tremular, nos  campos de luta, o pavilhão auriverde. É com emoção que aqui vos deixo os meus votos de  pleno êxito. Não é um adeus, mas um até  breve,  quando ouvireis a palavra da pátria  agradecida”.

Ao retornarem da guerra, havia  12 dias que Getúlio Vargas já  não era mais  presidente do Brasil. A promessa de que haveria uma “pátria agradecida” não foi cumprida. Os veteranos foram  abandonados pelas autoridades civis e militares brasileiras, e  a  legislação de benefícios foi praticamente ignorada, explica seu José,  acrescentando que, não foi fácil a reintegração social dos veteranos do conflito mundial.

Hoje, com 98 anos, é um herói de guerra que saiu de um pequeno município do Rio  Grande do Sul e que suportou até 20 graus negativos de temperatura na Itália. Um herói que teve papel determinante para a Paz Mundial. Ele foi um soldado que acreditou no  ideal de que, mesmo sob forte bombardeio inimigo,  deveria permanecer forte e firme. É modelo de equilíbrio, sobriedade e firmeza, virtudes que, somadas ao extraordinário bom coração, permitiram orientar para a vida seus descendentes.

Após o desembarque no Brasil, permaneceu no Rio de Janeiro por mais três meses, até dar baixa do Exército, quando retornou para sua querência amada – Vista Alegre, RS, onde continuou trabalhando na agricultura.

Com 27 anos, no dia 12 de setembro de 1947, casou-se com Thereza Balestrin e  permaneceu morando em Vista Alegre, no Rio Grande do Sul, durante alguns anos e nasceram lá três filhos: Miranda, Sérgio e Celito Argenta. Com desejo intenso de desbravar territórios  desconhecidos e sonhar com novos horizontes,  partiu do Rio Grande do Sul com sua esposa e filhos e fixou  residência em Santo Antônio, no Sudoeste do Paraná, divisa com o município de San Antônio, Província de Missiones – Argentina.

Ao chegar à cidade  Pato Branco, José Argenta tratou de se colocar no mercado e foi  trabalhar no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab),  órgão de  pesquisa que dá  embasamento tecnológico às políticas públicas de desenvolvimento rural do Estado do Paraná.

Trabalhou em um campo de pesquisa, localizado a 12 km do centro da cidade, como ajudante de pesquisa em grãos. Ali permaneceu de 1970 a 1976. Sua companheira de vida sempre lutou e buscou os direitos do marido por sua participação na Segunda Guerra Mundial. Brava e guerreira, tomou a iniciativa de ir buscar, no Exército da capital paranaense, a aposentadoria da qual o marido tinha direito e que não tinha sido formalizada.

Embarcou para Curitiba e lá enfrentou todos os trâmites legais para que a aposentadoria do seu marido fosse aprovada. Somente em 1972, José foi aposentado pelo Exército brasileiro e passou a usufruir da remuneração como servidor público, por ter prestado serviços à Nação Brasileira.